quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A Revolução das Ovelhas - parte 1

Segurança nas portas das agências bancárias

O lamentável incidente ocorrido em Nova Lima, na última segunda-feira, chocou a todos. Um obreiro de uma igreja evangélica foi assassinado na porta do Bradesco. Ele se dirigiu à agência bancária para efetuar um depósito, mas foi abordado por dois homens em uma moto, que dispararam contra o obreiro. Este triste episódio reflete a insegurança nas agências bancárias. Nos últimos meses, algumas abordagens foram feitas aos frequentadores dos bancos, além disso, diversos chupa-cabras foram instalados nos caixas para reter os envelopes ou copiar os cartões. Enfim, hoje não temos mais tranquilidade ao usar os serviços bancários, pois somos assombrados pelo medo de estarmos sendo vigiados ou de nossos cartões serem clonados.

É dever das agências zelar pela segurança privada do local. Para isso, é preciso investir em equipamentos de segurança, como câmaras filmadoras, portas eletrônicas com detector de metais, alarmes junto às delegacias, divisórias entre os caixas. Estes recursos ajudam a inibir a ação dos bandidos. Mas só isso não basta. Para complementar, a segurança do lado de fora dos bancos também é primordial. Tem que haver policiamento nas portas dos bancos. Todo suspeito deve ser revistado, principalmente aqueles que estiverem aos pares, de moto e com capacete durante todo o tempo.

Outra medida que poderia ser tomada é afastar os pontos de moto das agências bancárias. O ideal seria que estes pontos ficassem afastados dos bancos, para que os motoqueiros suspeitos não se confundam com os mototaxistas. Enfim, vamos investir na segurança das agências bancárias, dentro e fora delas.

OTERO, Wilson. Segurança nas portas das agências bancárias. Cultura e Comércio, Nova Lima, 27 de outubro de 2011. Disponível em http://www.culturaecomercionovalima.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=834:seguranca-nas-portas-das-agencias-bancarias&catid=38:e-tenho-dito&Itemid=177. Acesso em 31 de outubro de 2011.

Em vez de Revolução dos Bichos, a Revolução das Ovelhas

Se o prezado leitor ainda não leu "A Revolução dos Bichos", de George Orwell, recomendo que leia. Mas vou dar uma visão geral da estória. Em uma fazenda, os animais um dia se revoltaram contra a exploração dos humanos e os expulsaram de lá, assumindo a fazenda. Eles se organizaram por um sistema chamado Animalismo, idealizado pelo porco Major, que morreu antes da revolução. Neste sistema, eles até aprenderam a ler (ou tentaram aprender). O Animalismo foi sintetizado em sete mandamentos, que foram pintados em uma parede do celeiro. Mas...

Notou-se também que os mais estúpidos, tais como as ovelhas, as galinhas e os patos, eram incapazes de aprender de cor os Sete Mandamentos. Depois de muito pensar, Bola-de-Neve declarou que, na verdade, os Sete Mandamentos podiam ser condensados numa única máxima, que era: "Quatro pernas bom, duas pernas ruim". Aí se continha segundo disse ele, o princípio essencial do Animalismo. Quem o seguisse firmemente, estaria a salvo das influências humanas.

Mais adiante, o porco Napoleão lança um bando de cachorros roubados da mãe sobre o adversário Bola-de-Neve, que teve que fugir da fazenda para nunca mais ser visto e o porco triunfante transforma a sociedade animalista em uma ditadura ainda mais repressora e de ainda mais fome e miséria que a gestão do fazendeiro humano (trocadilho: "O Porco Triunfante" é um dos títulos da versão portuguesa). Mas ainda há mais, e eis o ponto do livro onde pretendo chegar:

Mas se havia grandes agruras a arrostar, estas eram compensadas pelo fato de a vida agora ter muito mais dignidade. Havia mais canções, mais discursos, mais desfiles. Napoleão determinara que uma vez por semana houvesse uma coisa chamada Manifestação Espontânea, cuja finalidade era comemorar as lutas e triunffos da Granja dos Bichos. (...) Quem mais gostava das Manifestações Espontâneas eram as ovelhas, e se alguém se queixava (havia quem o fizesse, quando os porcos ou os cachorros não andavam por perto) de que aquele negócio era uma perda de tempo e obrigava a ficar bom pedaço no frio, as ovelhas invariavelmente calavam o insatisfeito com um ensurdecedor balido de "Quatro pernas bom, duas pernas ruim!" (...) E assim, à custa das cantorias, dos desfiles, das estatísticas de Garganta, do estrondo da espingarda, do cocoricó do garnisé e do drapejar da bandeira, conseguiram esquecer que estavam de barriga vazia, pelo menos a maior parte do tempo.

George Orwell, que era anarquista, escreveu este livro e "1984" quando ainda existia o Segundo Mundo, e ele se baseia na experiência da União Soviética. "A Revolução dos Bichos" foi escrito pouco antes da divisão entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, "1984" um pouco antes do governo Mao Tsé-Tung e o autor morreu em 1950, nove anos antes do governo Fidel Castro. Mas ainda que a ideia dos dois romances seja mostrar a traição dos governos comunistas ao ideal marxista, vou aproveitar aqui uma lição que pode se aplicar também a um país capitalista: como o medo paralisante e passivo pode levar a uma vida miserável dentro de uma ditadura política velada, e como tanto no nível pessoal quanto no coletivo a qualidade de vida pode ser ainda pior do que já era.

Nós já temos a lei que proíbe o uso de celular em agências bancárias, que vamos discutir na parte 2. Também já temos câmeras nas agências. Agora, o autor sugere ainda mais restrições. Com todo o respeito, Wilson Otero, mas você ainda não entendeu nada?

Primeiro, uma pequena revisão sobre os Três Poderes: o Legislativo faz as leis, o Executivo se encarrega da execução delas e o Judiciário julga a desobediência às leis. Logo, bandido é assunto do Judiciário, que inclui a Polícia, e não do Legislativo ou do Executivo. Leis novas para proibir práticas antes permitidas visando impedir crimes previstos em leis já existentes quase sempre dão errado. Primeiro porque transformam em infrator um cidadão ordeiro que seria "ficha limpa" sem estas leis. Segundo porque a não ser que o objeto da nova lei seja indispensável ou sem um substituto viável para a prática do crime, o crime continuará a ser praticado contornando a lei nova. Ou seja, leis criando infrações novas ou leis novas para combater crimes velhos em geral são muito mais desconfortáveis para quem vai cumpri-las do que para quem já é infrator, e não vice-versa. Para citar um exemplo: quando você, cidadão honesto, foi "travado" no detector de metais, às vezes por causa de um chaveiro mais volumoso ou um bom bocado de moedas, e viu o "guardinha" do banco descobrir uma arma com um outro cliente?

Na edição seguinte do Cultura e Comércio, o colunista conta o caso que ele mesmo testemunhou de um menor de idade que esfaqueou um guarda municipal e ainda enfrentou a Polícia no hospital em que o guarda foi atendido: "Qualé polícia?! O que tá olhando? Sô de menor! Vai bater em mim? Eu te fodo! Sei dos meus direitos..." (OTERO, Wilson. Qualé polícia?! O que tá olhando? Sô de menor! Cultura e Comércio, Nova Lima, 04 de Novembro de 2011. Disponível em http://www.culturaecomercionovalima.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=841:qquale-policia-o-que-ta-olhando-so-de-menorq&catid=38:e-tenho-dito&Itemid=177. Acesso em 12 de janeiro de 2012) É pra isso que um cidadão como o narrador deixa de atender o celular no banco?

Quanto às propostas sobre os motoqueiros, duas refutações rápidas: I) (com todo respeito, mas apenas para chocar) 65% da população carcerária é negra, vamos proibir negros de se aproximarem de bancos também? II) proibição de motos para evitar assaltos foi uma ideia colocada em prática no CEASA, fracassada. As câmeras também não inibem os crimes, às vezes não são suficientes nem para identificar um criminoso. Veja o caso do apêndice.

A solução para esta questão nos daria uma longa discussão. Mas uma proposta que eu faço: sabe a campanha do desarmamento? Vamos fazer o contrário: a campanha do armamento honesto. Todo cidadão de honestidade e equilíbrio mental comprovados receberá da Polícia a sua arma própria e treinamento para usá-la, com programa de financiamento para os mais pobres. Claro, irregularidades que aconteçam devem ser punidas exemplarmente. Então, prezado honesto, poderemos tirar as câmeras e os detectores de metal dos bancos, porque o ladrão vai ter medo da sua arma (epa!).

E vejam só! O jornal A Notícia de 10 a 16 de novembro nos dá o esclarecimento do crime, depois do assassino preso: o autor estava freqüentando a igreja do obreiro para planejar o crime. Moral da estória: está faltando polícia - a Polícia do Pensamento.

Walter Nunes Braz Júnior

Apêndices

Restrição aos motociclistas não impede crimes na Ceasa

Desde que medida entrou em vigor, há 60 dias, já são sete arrombamentos

Publicado no Jornal OTEMPO em 16/07/2011

Natália Oliveira

A medida que proíbe os motociclistas de circularem nas Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa-Minas), em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, completa dois meses amanhã, mas não tem impedido os crimes no local.

Se antes os criminosos usavam as motos para praticar os assaltos, agora eles entram como frequentadores da instituição e, a qualquer hora do dia, arrombam as lojas. Até os carros estacionados na área cercada pela central têm sido alvo dos ladrões.

A direção das centrais de abastecimento confirmou que as queixas em relação aos arrombamentos aumentaram nos últimos 60 dias. Segundo o gerente de segurança da Ceasa, Samuel Maciel, a partir das reclamações dos comerciantes foi feito um levantamento que apontou sete arrombamentos no local desde que a restrição às motos entrou em vigor. Ele não soube informar as ocorrências antes da norma.

Para os comerciantes, os arrombamentos são fruto da falta de controle das entradas na Ceasa. "Os criminosos não agem com motocicletas, mas entram aqui tranquilamente e nos roubam da mesma forma porque não existe um controle", denunciou o vendedor José Saraiva Pinto.

Ontem pela manhã, a reportagem de O TEMPO comprovou a facilidade em entrar no local. Para ter acesso à instituição, a equipe não passou por qualquer tipo de identificação.

Outro comerciante, que não quis ter o nome divulgado, teve o estabelecimento arrombado há duas semanas. Ele contou que ladrões entraram pelo telhado e levaram o dinheiro do caixa. "Tive um prejuízo de R$ 8.000".

A loja em que o coordenador de segurança Eronilço Pinheiro trabalha também foi arrombada, mas, nesse caso, os criminosos foram pegos pelos seguranças do estabelecimento. "A sorte é que temos segurança particular. Caso contrário, teriam levado as mercadorias".

O vendedor Ivan Santos, 56, teve o carro arrombado. Levaram o som, os alto-falantes, o estepe e certa quantia em dinheiro. "Aqui, a gente não tem segurança. Falta policiamento. Depois que fui roubado, fico com medo, mas tenho que deixar o carro no estacionamento, não tem jeito", disse.

O gerente de segurança da Ceasa informou que 40 novas câmeras de vigilância serão instaladas no local até o fim do ano. Atualmente, são 44 equipamentos.

O major Nilson Alves disse que a polícia está fazendo estudos sobre horários e locais em que os arrombamentos mais acontecem. Ele não revelou estatísticas.

Flagrante

Ladrões levaram até geladeira de uma loja

A ocorrência mais recente de arrombamento na Ceasa aconteceu na madrugada de anteontem. Um galpão foi invadido por ladrões, e 37 mercadorias foram levadas. Computadores, um triturador de papel e até uma geladeira estavam entre os materiais roubados.

Segundo militares do 18º Batalhão da Polícia Militar, os produtos roubados foram encontrados em uma residência no bairro Jardim Diala, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte.

Policiais que faziam ronda na região desconfiaram de dois jovens que retiravam o carregamento de um carro e, ao abordarem os suspeitos, descobriram que a mercadoria havia sido roubada na Ceasa.

Maicon Felipe Martins, 22, e um adolescente de 15 anos foram detidos em flagrante. O motorista do caminhão utilizado para transportar a mercadoria roubada até o local, identificado como Romário Santos, 24, conseguiu escapar.

De acordo com os militares, o veículo utilizado no crime foi apreendido e a mercadoria, devolvida ao proprietário. (NO)

OLIVEIRA, Natália. Restrição aos motociclistas não impede crimes na Ceasa. O Tempo, Belo Horizonte, 16 de julho de 2011. Disponível em http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=176932,OTE. Acesso em 31 de outubro de 2011.

Roubo de R$ 90 mil

Os assaltantes levaram cerca de R$ 30 mil em dinheiro e R$60 mil em cheques quando o empregado parou em posto de combustível

Publicado no OTEMPO Contagem em 09/09/2011

Dois homens armados assaltaram ontem um funcionário de uma loja da Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa-MG), em Contagem. Ele havia acabado de sair do local com dois malotes e parado em um posto de combustíveis para abastecer. Os suspeitos o abordaram e levaram R$ 90 mil. De acordo com a Polícia Militar, a vítima seguia em um Gol para uma loja matriz, do setor de hortifrutigranjeiros, no bairro Fonte Grande, também em Contagem. A vítima contou à polícia que sempre faz o mesmo caminho, levando malotes com dinheiro para depósitos em agências bancárias. A polícia acredita que os suspeitos vinham vigiando o funcionário há mais tempo. A vítima havia saído da Ceasa e seguido pela avenida Severino Balesteros, quando parou em um posto de gasolina. Logo ao entrar no estabelecimento, foi abordada por dois homens em uma moto. Eles quebraram a janela do veículo e levaram dois malotes, um com R$ 30 mil em dinheiro e outro com R$ 60 mil em cheques. O funcionário não se feriu. A assessoria de imprensa da Ceasa informou que os assaltantes não entraram no centro atacadista, não sendo possível identificá-los pelas câmeras de segurança. Os responsáveis pela empresa roubada não quiseram falar sobre o assalto. Até o início da noite de quarta-feira (7), ninguém havia sido preso.

Proibição.Em maio deste ano, a circulação de motocicletas foi proibida dentro da CeasaMinas. De acordo com a assessoria de imprensa da central, a medida foi tomada para aumentar a segurança e melhorar a circulação.

ROUBO de R$ 90 mil. O Tempo Contagem, 09 de setembro de 2011. Disponível em http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=6828,OTC. Acesso em 31 de outubro de 2011.

Câmera de segurança flagra estupro à luz do dia

A Polícia de Trenton, cidade norte-americana do Estado de New Jersey, ainda não conseguiu identificar o homem que atacou e violentou sexualmente uma jovem de 19 anos em plena luz do dia, perto de uma loja de conveniência. O crime aconteceu na manhã de quinta-feira (26) quando a vítima estava a 600 metros do seu local de trabalho.

A moça foi surpreendida pelo agressor - que fingia falar ao celular - e levada à força para uma van estacionada na rua, onde foi estuprada. A agressão, registrada por uma câmera de segurança, levou apenas sete minutos. Depois do estupro, o homem deixou o local andando tranquilamente. Em estado de choque, a vítima saiu de trás da van minutos depois. As informações são do site www.mediatakeout.com.

O DIÁRIO. Câmera de segurança flagra estupro à luz do dia. O Diário, Maringá, 31 de agosto de 2010. Disponível em http://www.odiario.com/geral/noticia/336157/camera-de-seguranca-flagra-estupro-a-luz-do-dia/. Acesso em 10 de janeiro de 2012.

Grupo O Reino de Deus:
Os laços entre religião e totalitarismo, preconceito, abuso de autoridade, repressão ao sexo, entre outras coisas
http://www.grupos.com.br/group/oreinodedeus
oreinodedeus@grupos.com.br
Grupo Paraíso Concreto:
Ateísmo, anarquia, movimentos, viver bem e ações práticas
http://groups.google.com/group/paraiso-concreto
http://www.grupos.com.br/group/semsenhores
semsenhores@grupos.com.br
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Discussões do grupo Paraíso Concreto e material de sexo
http://groups.google.com/group/sexoconversaetc1
Fórum Paraíso Concreto:
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